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Esse é o Petites Mélodies, um blog sobre arte e cultura visual.

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uma reflexão pós dia do designer

“Good design is in all the things you notice. Great design is in all the things you don’t.”
— Wim Hovens

Quinta-feira, dia 5 de novembro, foi o Dia do Designer. Celebrado pelas associações de design com compartilhamento de posts em seus perfis de redes sociais e pelos meus amigos de faculdade e colegas de profissão.

Nessa semana, mostramos aqui a Semana Design Rio 2015 e uma reflexão sobre a importância desses eventos para se pensar a profissão. Nessa mesma semana, ouvi de uma colega do meu curso de mestrado (que estudou na graduação Historiadora da Arte), como deve ser frustrante ser designer.

Essa minha colega chegou à conclusão depois de ler um texto do designer Peter Bil'ak sobre uma exposição que ele montou como curador, chamada "Graphic Design in the White Cube" (2006). A exposição discutia justamente como é difícil expor design (gráfico) em um espaço de uma galeria ou museum, um contexto artificial para o objeto.

No texto de Bil'ak, ele cita outro designer gráfico, Stuart Bailey, que diz:

"...graphic design only exists when other subjects exist first. It isn't an a priori discipline, but a ghost; both grey area and a meeting point..."

Ou seja, para Bailey, o fato do design ser uma disciplina dependente de outras para existir, torna o campo uma grande área cinzenta, e como consequência, o design assume o papel de uma disciplina fantasma.

Sem dúvida nenhuma isso é verdade. O design depende de outros campos. Ele se nutre de outros saberes. Todavia, isso a torna uma disciplina fantasma?

Prefiro pensar que não. Isso não significa que o bom design precisa necessariamente ser autoral – uma busca dos designers como forma de legitimação desse campo do saber – embora muitos deles sejam.

Parafraseando outro brilhante designer gráfico, Paul Rand (1914-1996), prefiro pensar que design é relação. É uma forma de você olhar para o mundo e se relacionar com ele.

Para os designers gráficos, sem dúvida é uma forma de comunicação. Mas também não deixa de ser uma forma de arquitetura, de engenharia, de orquestração, de melodia, de arte, de análise. [Para os designers de produto e de moda também.]

É um campo do saber que sim, depende de outros saberes. Mas que, sobretudo, se relaciona com eles, se entrelaça, se conecta. Um bom designer é mais do que aquele que cria coisas bonitas/funcionais.

Um bom designer é aquele que olha e sabe enxergar, que consege ouvir o mundo e as pessoas ao seu redor. É aquele que entende os códigos culturais, consegue decifrá-los e os usa ao seu favor – seja de uma forma literal, irônica ou inovadora.

Por ser uma profissão relativamente nova, exercer a profissão pode ser um pouco frustrante, especialmente no Brasil. Baixos salários, benefícios, pouco reconhecimento, muitas horas de trabalho, muitas noites viradas e/ou mal dormidas. Não estou dizendo que é fácil.

Mas estou sim fazendo uma apologia à profissão. Profissão esta que eu escolhi por acaso  –embora não acredite tanto assim em acaso – e que por muito tempo me arrependi de a ter escolhido. Profissão esta que, todavia, me abriu o mundo e me permitiu juntar pensamento  analítico com emocional artístico.

Hoje eu escrevo sobre Design com a propriedade de quem já trabalhou com isso e sabe como é difícil e às vezes frustrante. Mas também com um olhar teórico de historiadora com a total consciência de que é fundamental escrever e alimentar esse campo de um saber antropofágico muito mais do que fantasmagórico.

Eu encerro então essa reflexão com duas citações do Paul Rand.

“Tudo é relativo. Design é relação”.
“O todo é mais que a soma de suas partes”.

– Paul Rand
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As frases citadas de Paul Rand foram extraídas do livro "Conversas com Paul Rand", organizado por Michael Kroeger, apresentado por Steven Heller, traduzido por Cristina Fino e publicado pela Cosac Naify em 2010. A foto também é de uma das páginas do livro que, por sinal, é belíssimamente bem diagramado.
exposição: point and line to plane

exposição: point and line to plane

semana design rio e a importância de pensar o design