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Esse é o Petites Mélodies, um blog sobre arte e cultura visual.

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tunga

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"Não há certeza de nada. Tanto em arte quanto na vida"
Tunga (1954-2016)

Hoje, dia 6 de junho de 2016, morreu um dos maiores nomes da Arte Contemporânea brasileira. Tunga (Antônio José de Barros de Carvalho e Mello Mourão), foi um artista multimídia com obras expostas na Bienal de Veneza, na Bienal de São Paulo, em mostras no MoMA, na Whitechapel (Londres), no Jeu de Paume (Paris), entre outros lugares renomados.

Ainda assim, não há lugar melhor para se admirar as obras do artista do que em Inhotim (MG), onde estão expostas cerca de sete obras do artistas. Dentre elas,  uma das obras mais importantes do artista: "True Rouge" (1997, fotos).

Desde meados dos anos 1970, Tunga trabalhava com um imaginário exuberante e complexo, utilizando diversas mídias para unir diferentes campos do saber, como: filosofia, ciências naturais, literatura e artes visuais. Para Tunga, as ações físicas de uma obra fazem parte do pensamento sobre a mesma, ou seja, o corpo, a materialidade da obra, é parte fundamental do conceito da mesma.

Em vários de seus trabalhos, o artista contratava performers para realizar uma espécie de rituais performáticos, em um ato de inauguração da obra. "True Rouge" (fotos) pertence a este grupo de trabalhos. Na instalação, atores nus interagiram com os objetos pendentes: recipientes que contêm um líquido viscoso, vermelho, que derramavam sobre si e os vidros, remetendo aos ciclos vitais. Os objetos pendem do teto, brincando com a gravidade e fazendo alusão a um enorme teatro de marionetes.

O trabalho surgiu do poema que lhe dá título, escrito por Simon Lane e que descreve uma ocupação do espaço pelo vermelho através de trocadilhos nas línguas inglesa e francesa. E agora se tornou – ainda mais – destino obrigatório para que for visitar Inhotim.

Diante do falecimento do artista, Bernardo Paz, idealizador do centro cultural, declarou:

“Eu me envolvi na arte contemporânea ao ver as obras do Tunga. O trabalho dele é uma coisa estonteante, me pegou no primeiro dia que eu vi. Quis saber de onde vinha aquela loucura toda, aquele espetáculo. Convivi com ele 25 anos da minha vida, por isso sua partida me deixa muita saudade. Foi um grande amigo meu, talvez o melhor. Foi quem mais me ajudou a fazer o Inhotim. Ele queria muito que desse certo. Veio para o Inhotim e ficamos muitos meses montando suas obras. Na década de 1980, a maioria dos artistas passou pelo seu ateliê para aprender. Era um cara muito generoso. Minha felicidade foi ter feito um pavilhão que conta a trajetória dele. Um homem que deveria viver muito mais. Foi embora cedo.”
Festival Multiplicidade

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ana smile // santa blasfêmia

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