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Rijksmuseum e a diversidade

Thomas Hees com os seus primos Jan e Andries Hees e um criado, de Michiel van Musscher (1687)

Thomas Hees com os seus primos Jan e Andries Hees e um criado, de Michiel van Musscher (1687)

Durante meu mestrado em História da Arte e do Design vários temas me chamaram atenção e me encantaram nesse rico universo das artes.

Um dos temas, contudo, que passou a me interessar em especial foi a história dos museus, esse receptáculo de cultura e de conhecimento que hoje serve também como espaço de lazer. A História dos Museus – entendidos aqui como espaços públicos – está diretamente relacionada com a história dos povos europeus e sua hegemonia sobre outros povos. Está relacionada à história do poder – narrada por homens europeus e, evidentemente, brancos. Basta dizer que o primeiro grande museu aberto ao público foi o Louvre (1793) que logo depois se tornou uma espécie de grande sala de troféus das conquistas Napoleônicas.

Desde a abertura do Louvre, muita coisa mudou – e foram tantas que fica impossível dedicar apenas um post para isso. Mas, fundamentalmente, duas mudanças foram significativas na História dos Museus: a forma como nos relacionamos com esses espaços (e suas obras) e a expansão desses espaços para abraçar diversos públicos.

Hoje, dois séculos depois, o Rijksmuseum (Amsterdam, Holanda) apresenta mais uma grande mudança que pode marcar a História dos Museus: a forma de apresentar os personagens das obras de sua coleção. Não se trata de uma arquitetura mirabolante de um anexo ou um projeto expositivo vanguardista. O que o Rijksmuseum está trazendo à discussão é como se tornar um espaço mais inclusivo para as minorias – aquelas dominadas pelos europeus que construíram os primeiros museus.

Após queixas dessas minorias que se sentiam incomodadas com o uso de alguns termos presentes nos títulos das obras, palavras como “mouro”, “anão”, “escravo” e “selvagem” desapareceram dos títulos das obras. A carga pejorativa vinda de uma cultura imperialista fazia com que essas minorias – frequentadoras do museu – se sentissem incomodadas na sua experiência de visitante do museu.

Em entrevista concedida ao jornal português Público, o diretor de comunicação do museu, Marjolijn Meynen, disse que:

“As minorias também têm de se reconhecer em um museu nacional, nas histórias que ele conta. Não queremos ser um museu só para brancos, onde outras etnias não se vejam, onde alguém sinta que tem a obrigação de escrever um manifesto contra o racismo por causa de uma legenda.”

A medida que em um primeiro momento pode parecer radical para uns, representa uma nova forma de pensar aliada com as mudanças sociais do nosso tempo. Em tempos de globalização, os museus podem e devem abraçar o desafio proposto pelo próprio Napoleão Bonaparte no início do século XIX de se tornarem espaços globais. Mas, diferentemente daquela época, é preciso pensar no sentido que a palavra global representa para o nosso tempo.

Esta atitude pioneira do Rijksmuseum, considerado o melhor museu da Europa no ano passado, põe em discussão o papel dos museus na história contemporânea. O Rijks mostra que os museus não são instituições estanques e que precisam constantemente se repensar como instituições. O diálogo com o público no século XXI não virá apenas através dos seus programas educacionais e de espaços de confraternização (como lojinhas e restaurantes), mas sim através de um diálogo entre essas consagradas instituições e seus públicos.

 

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Fonte: Revista Brasileiros e Jornal Público.

SP-Arte (+Design)

#dicacultural: livro "o paraíso na outra esquina"

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